A administração Trump anunciou na sexta-feira passada uma nova taxa anual de $100.000 para vistos H-1B, que permitem que 85.000 trabalhadores estrangeiros qualificados entrem nos EUA a cada ano. A taxa se aplica às empresas que contratam esses trabalhadores, principalmente no setor de tecnologia.
O veterano capitalista de risco Michael Moritz não está aceitando isso. Em um novo e contundente artigo de opinião no Financial Times, o ex-chefe da Sequoia Capital compara a Casa Branca à loja de porcos de Tony Soprano, chamando a medida de outro “esquema de extorsão brutal.”
Moritz argumenta que Trump entende fundamentalmente mal por que as empresas de tecnologia contratam trabalhadores estrangeiros, dizendo que se trata de habilidades e de preencher lacunas de mão de obra, e não de substituir americanos ou cortar custos. A política terá um efeito reverso, alerta ele, fazendo com que as empresas relocalizem o trabalho para Istambul, Varsóvia ou Bangalore em vez de mantê-lo nos EUA.
“Engenheiros com diplomas de graduação das melhores universidades da Europa Oriental, turcas e indianas são tão qualificados quanto seus colegas americanos”, escreve Moritz.
Em vez de restringir os vistos H-1B, Moritz sugere dobrar ou triplicar o número deles, ou conceder automaticamente a cidadania a estrangeiros que obtiverem PhDs em STEM nas melhores universidades dos EUA. Ele cita CEOs nascidos no exterior, como Satya Nadella, da Microsoft, e Sundar Pichai, do Google, como exemplos de sucesso do programa H-1B. (Elon Musk e o cofundador do Instagram, Mike Krieger, são outros.)
Moritz recebeu ele mesmo o visto precursor do H-1B em 1979 e, desde então, escreve o bilionário, “sinto-me grato ao país que me acolheu.”
